Escrever – ou falar – de Mariana Enriquez é sempre um prazer para mim. Meu primeiro contato com a autora foi no livro de contos As Coisas que Perdemos no Fogo. Havia algo nas desconfortáveis narrativas que me prendia. Anos depois li o romance Nossa Parte de Noite que me arrebatou. Não sei bem como explicar a fascinação que a escrita de Enriquez exerce sobre mim. É um misto de espanto e curiosidade. Mariana não se encaixa no terror mais comum (já comentei aqui no blog um pouco acerca deste estilo quando escrevi sobre o livro Coelho Maldito de Bora Chung ). A argentina traz narrativas insólitas e incômodas que mesclam violências, crenças regionais e o grotesco – incluindo uma dose de escatologia – com o sobrenatural. E nesta linha que está o livro de doze contos Os Perigos de Fumar na Cama do qual tratarei neste texto. E, como quase toda publicação de contos, há uma heterogeneidade entre as histórias, por isso vou me limitar aqui aos que me chamaram mais a atenção. Em “O Carri...
Puxa a cadeira e senta porque aqui a prosa é boa