Há alguns anos li A Sociedade dos Sonhadores Involuntários, livro do angolano José Eduardo Agualusa. Lembro que à época não me evolvi muito com a narrativa e nem me empolguei tanto para falar sobre a leitura (para quem quiser saber mais sobre esse livro, tem um vídeo sobre ele no perfil do literatura com pão de queijo ). Mas com Teoria Geral do Esquecimento foi o total oposto: uma completa imersão que me desligava de tudo ao redor. O ponto de partida da narrativa é um fato verídico: uma portuguesa, Ludovica Fernandes Mano, enclausurou-se em um apartamento em Luanda à época da independência de Angola assim que percebeu a movimentação alterada nas ruas da capital. Ali a personagem permaneceu durante vinte e tantos anos com a companhia de um cachorro sobrevivendo alheia ao mundo que a rodeava. Ludovica deixou vários escritos em papel e nas paredes e foi a partir desse material que o autor elaborou um roteiro para um filme que não chegou a ser filmado mas que serviu de base para o des...
Ler Gabriel García Márquez é sempre um prazer porque suas histórias sempre mexem muito comigo. Os amores retratados são quase sempre viscerais. Não dão sossego. Queimam por dentro. Acho que esse foi o elemento determinante para que eu me apaixonasse pela escrita de Gabo porque o primeiro livro que li dele foi Do Amor e Outros Demônios – e quem já leu esse sabe bem como são os sentimentos que ligam os protagonistas. Para além disso, há o estilo envolvente da escrita do autor e, claro, o realismo mágico. Em Agosto Nos Vemos, livro do qual trata este texto, é curto e com um enredo simples. Ana Magdalena, uma mulher na casa dos 40 anos, tem um ritual anual: todo 16 de agosto ela pega uma barca e segue até à ilha onde sua mãe foi sepultada para levar-lhe um maço de flores. Todos os anos ela viaja no mesmo horário, pega o mesmo táxi na ilha e compra as flores com a mesma florista. Tais repetições somadas à vida estável da protagonista – um casamento tranquilo, filhos criados e situação finan...