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As Cidades Invisíveis - Italo Calvino

Se você, leitor, visitar qualquer cidade turística vai se deparar com várias pessoas tirando fotos em seus celulares – e eu me incluo nesse grupo. E, se você botar reparo, vai perceber que muitos só querem a melhor foto, a mais bonita para a rede social.

Na contrapartida desse movimento, a linguagem simbólica de As Cidades Invisíveis convida o leitor/turista não apenas a ver o local, mas a viver a experiência completa que uma viagem pode oferecer - e essa é apenas uma das camadas do livro.

À primeira vista, o livro de Ítalo Calvino pode parecer uma jornada física real. Porém, quem está do outro lado das páginas vai percebendo que a imersão estimulada é interior. Dizem que ninguém volta igual de uma viagem, principalmente, se for um mergulho em si mesmo. Brinquei com um amigo que ler As Cidades Invisíveis pareceu uma sessão de terapia analítica.


A abordagem psicológica das pequenas histórias torna a leitura mais densa e monótona mas nem de longe menos enriquecedora. Na verdade, As Cidades Invisíveis é para ser degustado em doses homeopáticas para que a digestão seja mais efetiva.




Esse livro não é uma história com começo, meio e fim. Trata-se de um compilado de pequenos relatos fictícios que o lendário Marco Polo narra ao grande Imperador mongol, Kublai Klan. Em alguns trechos há diálogos entre os dois personagens, todavia, as protagonistas são as cidades imaginadas pelo viajante. Cada micro história descreve uma dessas localidades com um tom um tanto fantástico, como Adelma, habitada por mortos e onde Marco Polo reflete que “chega um momento da vida em que, entre todas as pessoas que conhecemos, os mortos são mais numerosos que os vivos. E a mente se recusa a aceitar outras fisionomias, outras expressões: em todas as faces novas que encontra, imprime os velhos desenhos, para cada uma descobre a máscara que melhor se adapta.”


Assim como Adelma, todas as outras cidades imaginadas têm nomes femininos totalizando, ao final, 55. Esse número é dividido em 11 grupos que contém, portanto, 5 cidades cada. As categorias são temáticas: memória, desejo, mortos, símbolos, entre outros, e dentro desses agrupamentos o autor trabalha com um sem-número de alegorias. Por fim, compartilho um fato que achei interessante pesquisando sobre o livro: a leitura de As Cidades Invisíveis faz parte de alguns cursos de Arquitetura justamente pela tônica imaginativa das histórias. 


Pegue sua bagagem e siga nessa viagem para dentro de si mesmo.




Dados

Livro: As Cidades Invisíveis

Autor: Italo Calvino

Ano de lançamento: 1972 (a edição lida para esse texto é de 1990)

Tradutor: Diogo Mainardi

Editora: Companhia das Letras

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