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Teoria Geral do Esquecimento - José Eduardo Agualusa

Há alguns anos li A Sociedade dos Sonhadores Involuntários, livro do angolano José Eduardo Agualusa. Lembro que à época não me evolvi muito com a narrativa e nem me empolguei tanto para falar sobre a leitura (para quem quiser saber mais sobre esse livro, tem um vídeo sobre ele no perfil do literatura com pão de queijo). Mas com Teoria Geral do Esquecimento foi o total oposto: uma completa imersão que me desligava de tudo ao redor.

O ponto de partida da narrativa é um fato verídico: uma portuguesa, Ludovica Fernandes Mano, enclausurou-se em um apartamento em Luanda à época da independência de Angola assim que percebeu a movimentação alterada nas ruas da capital.  Ali a personagem permaneceu durante vinte e tantos anos com a companhia de um cachorro sobrevivendo alheia ao mundo que a rodeava. Ludovica deixou vários escritos em papel e nas paredes e foi a partir desse material que o autor elaborou um roteiro para um filme que não chegou a ser filmado mas que serviu de base para o desenvolvimento do livro Teoria Geral do Esquecimento.


Embora a narrativa de Ludovica seja verdadeira, o livro é uma ficção que o autor utiliza de forma bastante poética para contar sobre o momento histórico de Angola e já vou dizendo que o livro deste texto é lindo na sua tristeza. O pós-independência em Angola foi um período conturbado com grupos ideologicamente divergentes disputando a liderança do país. Não bastasse ser uma ótima ficção, Teoria Geral do Esquecimento mostra as mazelas dos anos em que Angola foi colônia e as feridas que ficaram incluindo a fragmentação no pós-independência. E, como sempre acontece em situações de guerra civil, a população padece.

Agualusa conta as histórias como quem trabalha em uma costura. É como se cada personagem fosse uma trama de rede com seus caminhos se encontrando. Emblemático é o título de um dos capítulos – a sutil arquitetura do acaso – que demonstra bem tanto o lirismo da escrita do autor como sua maestria em relacionar os personagens (inclusive um deles, Daniel Benchimol, é o protagonista do mencionado Sociedade dos Sonhadores Involuntários).

É bonita a forma que Agualusa utiliza os personagens para ilustrar a vida que continuava tentando seguir apesar do caos do momento que Angola passava. Pessoas que faziam o que estava ao alcance para ajudar outros, pessoas que conseguiram sair do país por medo do que estava por vir, pessoas que ficaram porque acreditavam em seus ideais. E, como a narrativa cobre um tempo longo, também demonstra como ideologias foram engolidas pela ganância e pela corrupção.

Além da escrita bonita e do enredo que prende, o autor pede ao leitor uma pesquisa. Não que seja uma obrigação, mas é interessante entender o contexto angolano, as facções que lutam, como aquele povo vivia e os motivos que levaram à Independência. Com esse conhecimento a imersão fica completa. Juro. A mim, parecia que alguém muito próximo falava dos personagens como que conta um causo. 



Dados:
Livro: Teoria Geral do Esquecimento
Autor: José Eduardo Agualusa
Ano de lançamento: 2012
Editora: Planeta do Brasil 

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