Qualquer tentativa de capturar ou descrever uma pessoa revela-se uma tarefa intricada. E é partindo dessa premissa que Cavito elabora as histórias de Esboços Naturais, livro de estreia do autor.
Nas sete narrativas que compõem o livro, o autor percorre pelos personagens como quem vagueia por diferentes cenários. No conto Foz, o protagonista tenta elaborar a representação de uma paisagem, mas percebe nisso uma dificuldade porque percebe que tudo está em constante movimento. Se a natureza humana é dinâmica, então o máximo a que se pode chegar ao descrevê-la é um esboço, tênues linhas que percorrem e misturam-se a um emaranhado de elementos.
Durante a leitura de Esboços Naturais, ao pensar que toda ação humana sofre o impacto da experiência, da materialidade da vivência, lembrei de uns versos da Mar Becker que dizem “viajar sozinha (por algum interior do mundo) só para chegar a isto: o momento em que não se pode mais decidir se és tu cruzando pelas vastidões, ou se são as vastidões cruzando por ti”. Isso puxou outra lembrança: a do filme Na Natureza Selvagem – principalmente pelo último conto. A ideia de desvencilhar-se de dogmas sociais e expectativas externas é muito presente nas duas narrativas.
Contemplação. Talvez esse seja o termo que permeou minha leitura de Esboços Naturais. Cavito nos convida a caminhar pelos pensamentos e ações de seus personagens e contemplar as contradições entre o que é palpável e o que não pode ser capturado.
Dados
Livro: Esboços Naturais
Autor: Cavito
Ano de lançamento: 2024
Editora: Laranja Original

Comentários
Postar um comentário