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Nesse Corpo de Água Doce - Priscila Faria

“As palavras compõem um mundo muito habitável” é uma frase de Michèle Petit, no livro Somos Animais Poéticos, em que a autora aborda sobre o poder da arte para auxiliar a lidar com questões emocionais e psicológicas delicadas. Nesse sentido, tanto escritor quanto leitor, podem fazer uso das palavras – escritas e lidas, respectivamente – como uma maneira de elaborar processos internos. 

No decorrer da leitura de Nesse Corpo de Água Doce, da poeta Priscila Faria, lembrei muito das palavras de Petit. Em seu livro de estreia, Faria traz poemas que tratam de emoções difíceis. E, confesso, a leitura mexeu comigo em diversos níveis. Naveguei devagar pelas páginas porque algumas delas trouxeram lembranças agitando águas paradas em mim das quais um cheiro desagradável subiu e do balanço das memórias que vieram à tona, a purificação veio em forma de lágrimas. 


É incrível como a arte serve como catarse para emoções delicadas. E que fique claro que de forma alguma minhas palavras são um manifesto em favor da tristeza ou da romantização do sofrimento, até porque a alegria também engendra a arte em suas mais diversas formas. A questão aqui é assinalar que emoções como o pesar, o luto, a melancolia servem como elementos alquímicos que extraem do artista-mago a mais pura arte. 

Passada a depuração e “porque são teimosos os que amam” – frase de um dos poemas desse livro já anotada em meu caderno  – finalizei a leitura de Nesse Corpo de Água Doce com um sorriso no rosto porque a vida sempre trata de nos oferecer beleza em meio ao caos. 


Livro: Nesse Corpo de Água Doce
Autora: Priscila Faria
Ano de lançamento: 2026
Editora Patuá

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